O QUE ESPERAR (AINDA) DE 2019

O QUE ESPERAR (AINDA) DE 2019

É tempo de se preparar para um novo ciclo econômico, com empresas mais enxutas, modelos inovadores e gestão profissional.

por Wallace Vieira*

Vivemos esse momento político um tanto quanto conturbado no Brasil porque, apesar da eleição ter acontecido lá em 2018, observamos que ainda persiste um forte envolvimento emocional neste governo que passa os dias discutindo seu modelo de gestão, suas escolhas e as doses amargas do remédio a ser administrado. Toda essa preparação inicial e sua sinalização, de qualquer forma, é importante para que o país possa alçar voos mais ambiciosos com um pouco mais de segurança para todos. Além disso é importante que se melhore o nível de confiança no país, combustível essencial para que este processo aconteça.

Enquanto isso, no resto do mundo… Bem, na parte do planeta onde estão os países desenvolvidos e de economias mais estáveis discute-se um novo modelo de sociedade, e seu passaporte para essa nova era do conhecimento com tudo que a transformação digital está injetando de bom nos negócios – também em nossa vida pessoal e profissional,  além dos efeitos sobre o emprego tal como o conhecemos hoje, por exemplo. Nessa nova era a indústria 4.0 é uma das protagonistas, repleta de tecnologias que chegam para transformar a rotina. Estou me referindo ao Big Data, à Inteligência Artificial, Internet das Coisas e por aí vai. Definitivamente será um novo mundo, muito mais desafiador para todos.

Esquecendo um pouco o “fator Governo” e apenas supondo que a ambiência e o otimismo para os negócios melhorem por aqui, penso que podemos experimentar um novo ciclo de desenvolvimento se iniciando ainda em 2019, com todo o aparato tecnológico que teremos à disposição. Os desafios são enormes, mas dispomos de uma classe empreendedora vibrante e corajosa que, mesmo lutando contra a burocracia, demonstra um desejo fantástico de empreender.

Essa vocação do brasileiro ao empreendedorismo foi claramente demonstrada em um estudo elaborado em 2016 pela startup Expert Market (Texas/EUA) e publicado na Fast Company, que buscou descobrir quais países possuem os empreendedores “mais determinados do mundo”, aqueles que, mesmo enfrentando sérias dificuldades e muita burocracia, ainda assim apresentaram um alto número de negócios criados. Apesar da insistente crise econômica pela qual vem passando, especialmente nos últimos 4 anos, o Brasil aparece bem posicionado no ranking (5º lugar em uma lista de 15 países) quando o assunto diz respeito aos empreendedores mais determinados.

Ainda de acordo com o levantamento, em uma escala de 1 (mais fácil abrir um negócio) até 130 (mais difícil) nosso país ganha pontuação 125. Ao mesmo tempo, na escala que mede a abertura de negócios e que varia de 1 (maior número de negócios criados) até 130 (mínimo de negócios criados) o Brasil alcança 48 pontos. Isso demonstra os dois lados da moeda: a dificuldade em abrir um negócio comparada ao alto número de negócios criados. Ou seja, o país conta com um grande contingente de pessoas dispostas a empreender, apesar dos riscos envolvidos.

Olhando para o nosso cenário com a visão de mentor de empresas e organizações, devidamente abastecido de percepções colhidas nas andanças e conversas que mantenho com diferentes perfis de empresários, do maior ao menor, concluo que a fase de ajustes nos negócios já passou e chegou a hora de virar esse jogo. É tempo de se preparar para um novo ciclo econômico, com empresas mais enxutas, modelos inovadores, gestão profissional e muita pesquisa para entender esse “novo consumidor” que busca marcas e produtos com propósito, sustentabilidade, empatia e atendimento customizado.

Wallace Vieira é capixaba, empresário e mentor de organizações, CEO da Wattz Consultoria e fundador da Academia Mentores S/A.
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